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Gato Branco às Riscas

Um blog normal sem nada de especial de uma sonhadora inconformada.

Seg | 14.12.15

Murro no estômago...

Paula Ribeiro Santos

Estás frágil, estás mal… e ainda tens alguém que te dá um ganda murro no estômago…

É muito muito fácil atirares areia aos olhos dos outros e dizer: “estás a agir da forma errada, que tens que levantar a cabeça e seguir em frente!”.

É muito fácil dar uma palmada nas costas dos outros e tapar o sol com a peneira dizendo: “vais ficar bem!”.

Também é muito fácil dizer “vou estar sempre aqui” e quando te apercebes essa pessoa mostra claramente que não percebe ponta daquilo que estás a passar e para piorar, te critica ou faz um juízo de valor totalmente errado…

 

Será que a humanidade sempre foi assim ou será que com o decorrer dos tempos a verdadeira amizade deixou de existir?

Hoje mais uma vez apercebi-me de que estou SOZINHA e não… não adianta virem dizer: “podes sempre falar comigo!”, “estou aqui para ti sempre que precisares!”, “como tu existe muita gente a passar pelo mesmo e superaram, tu também vais conseguir!!!”, “tens que ter calma!”, “tens que ter paciência!”, entre outra balelas que não interessam a ninguém e não ajudam em nada!

 

Afinal de contas… quem é que percebe um bocadinho, um terço que seja, desta dor de andar à três anos a tentar engravidar e não conseguir levar a gravidez para a frente ?

Quem é que entente a dor de três abortos espontâneos sem qualquer explicação médica?

Quem entende a angústia de andar a fazer tratamentos e esforços que dão em zero!?

Quem entende…?

Só mesmo quem passou ou está a passar pelo mesmo...

 

Felizmente estou rodeada de pessoas saudáveis e férteis onde todos têm bebés e eu... no meio desta historia toda é que sou a cabra louca e tresloucada que ninguém compreende nem fazem ideia do sofrimento pelo qual estou a passar.

 

Tenho dias que não existe força para me levantar da cama, tenho dias em que me sinto a pior pessoa do mundo, tenho dias em que só queria morrer, tenho dias em que queria ficar fechada em casa no escuro sem dar sinais de vida, tenho dias em que a esperança desaparece, tenho dias em que me sinto ser mais desprezível à face da terra, tenho dias em que me sinto completamente sozinha, mas e o que faço?

Levanto-me da cama, tomo banho, olho para a Mia (sinto-me feliz), brinco com ela… vou trabalhar e quando chego a casa de volta para os braços do A. tento estar de sorriso na cara escondendo todo o meu medo e tristeza de forma a que não o contamine e deixe de ser o meu porto de abrigo.