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Gato Branco às Riscas

Um blog normal sem nada de especial de uma sonhadora inconformada.

Sab | 06.04.19

Sobre a parentalidade

Paula Ribeiro Santos

Perece que finalmente aos poucos estamos a reaver a nossa vida social.

Não como antigamente em que íamos para os copos até de manhã, porém lentamente estamos a voltar aos "dates" com jantares a dois, concertos, teatro, fins-de-semana, aniversários e tudo e tudo e tudo a que temos direito.

Se me custa deixar o Afonso em mãos de terceiros para poder sair?

Sim, custa.

Se me sinto culpada?

Sim, sinto.

Se sinto que estou a desperdiçar tempo de qualidade com o meu filho?

Sim, verdade.

Mas também sinto que tenho uma obrigação profunda comigo mesma, a obrigação de viver, de ser mulher e de não me anular.

Apesar de sermos pais, não deixamos de ser dois jovens, uma Mulher e um Homem que também tem necessidades sociais para além da vida familiar.

Sempre achamos que tudo tem o seu lugar e o seu tempo.

Com calma e tranquilidade, conseguimos encaixar tudo nos tempos e nos sítios certos.

A parentalidade nunca nos foi vendida como uma responsabilidade fácil contudo, mesmo antes de engravidar, mentaliza-mo-nos de que seriamos diferentes da maioria dos casais e que em paralelo com a dedicação que atribuiríamos ao nosso filho estaria o nosso bem estar enquanto ser individual e como casal.

Defendo que se não estás bem contigo mesma, a relação familiar tende a ser descurada por isso, trabalhar a tua vida social é uma parte importante. A vida não são só fraldas, roupas para passar a ferro, uma casa para arrumar, sopas para fazer, bebés aos gritos e tu a ficares de cabelo em pé.

Os nossos filhos são de facto o meu do mundo, porém tu não só mãe ou só pai.

Aceito que existam outras perspetivas e outras posturas sobre o assunto, contudo não as compreendo. Os filhos não são uma prisão e a vida não termina após o nascimento destes. Os filhos são um dos incrementos mais incríveis a que a natureza nos dá o privilégio de aceder, os filhos são uma bênção, não são um castigo.

Neste sentido, quando decidimos ser pais mentalizamo-nos que a nossa vida enquanto casal não iria ser posta de lado e assumimos o compromisso de incluir o Afonso em praticamente tudo o que fazemos tendo em conta de que não iríamos abrir mão de alguns momentos de convívio e de descanso sem ele. .

Até aqui tem corrido bem, a ver vamos daqui para a frente agora que toma maior consciência do que acontece à volta dele…