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Gato Branco às Riscas

Um blog normal sem nada de especial de uma sonhadora inconformada.

Seg | 27.05.19

Continuamos a ter um papel redutor na familia e na sociedade

Paula Ribeiro Santos

Ser mulher, mãe, filha, trabalhadora, dona de casa… é difícil.

Grande parte de nós desempenha mais do que um destes papeis ao mesmo tempo,  raras são as mulheres que são “apenas” mãe, “apenas” trabalhadora, “apenas” filha… e os homens (grande parte deles), são apenas isso… homens, homens que têm como única responsabilidade trazer o sustento para casa e fazer com que nada falte à família. 

À mulher cabem todas as responsabilidades domésticas que se acumulam com o emprego fora de casa.

A nós mulheres, cabem as tarefas que aos olhos dos homens são menores, que têm menos ciência e que por isso, são menos valorizadas.

Fala-se muito sobre a igualdade no emprego, quando as grandes diferenças começam dentro de quatro paredes. Naquilo que ensinamos aos nossos filhos desde a nascença. Às meninas é ensinado que se deve brincar às casinhas, com bebés e com utensílios de cozinha incentivando-se à arrumação e às responsabilidades que no futuro terão porque afinal são meninas e um dia mulheres. Aos meninos, oferecem-se carros e motas com bateria incentivando-se o ócio.

Em casa o que ouvem é a mãe a queixar-se porque tem uma pilha de roupa para tratar, uma casa inteira para limpar e compras por fazer para o jantar.

Na família, aos olhos daqueles que supostamente nos deveriam proteger, ajudar e preservar, somos as maiores escravas de que há memória.

Sim, nós mulheres somos escravas da nossa condição.

Nascemos mulher, nascemos com responsabilidades acrescidas perante a sociedade mas principalmente sobre a família, com uma cruz às costas que ao longo dos anos tem vindo lentamente a ficar mais leve mas não leve o suficiente.

Ora vejamos um exemplo muito básico: Se convidarmos alguém para ir a nossa casa e a mesma estiver desarrumada e a cozinha e casa de banho pouco limpas, a desarrumada e a porc@ ali, é a mulher, nunca é homem.

Pois… em boa verdade o homem não suja, o homem não larga pelos, o homem não deixa tolhas de banho e roupa espalhada pela casa…

Não, o homem não deixa, o homem nunca deixa!

Eu não sou de me acomodar perante injustiças que lá por serem recorrentes, as pessoas tem tendência a achar que aquilo é o normal, se calhar sou uma pessoa à frente de mais para o meu tempo, fui criada num sistema em que o meu pai sujava a minha mãe limpava, o meu pai desarrumava a minha mãe arrumava, em que o meu pai chegava a casa e sentava-se à mesa e de imediato um tacho com comida era colocado a sua disposição, em que ao fim-de-semana ia para o café e a minha mãe ficava a arrumar a casa.

Mas eu não… eu não sou assim! Não admito, não permito.

Já não vivemos nesse tempo, fala-se em liberdade, fala-se em direitos, festeja-se a dia da mulher mas assim que se entra pela porta de casa a dentro, o que mais se encontra é mulheres de barriga encostada ao fogão ou à tábua de engomar.

Se eles não sabem cozinhar que aprendam, se não sabem passar a ferro já esta na hora de se desenrascarem ou então que vão trabalhar amarrotados, se querem uma cama cheirosa e limpa que abram os olhos, fazer uma cama de lavado não tem ciência e lavar a louça nunca tirou pedaço a ninguém…

É uma vergonha nos dias que correm ainda exista o pensamento redutor de se achar que a mulher tem mais responsabilidade do que o homem na gestão de uma casa e dos filhos.

Um homem não é menos viril se arrumar uma casa ou passar umas peças de roupa a ferro.

Se custa?

Custa muito, a mim custa-me horrores gastar a minha manhã ou tarde de fim-de-semana a tratar da casa, mas alguém tem que o fazer e se existe mais do que um elemento válido debaixo de um teto, então, todos têm que se ajudar.

E não há cá o ajudar a mulher, porque digo e repito, esta não é uma tarefa ou obrigação da mulher em que o homem com a sua boa vontade, ajuda a companheira, não!!! Esta é uma obrigação de todos os membros da família, pois todos sujam, todos desarrumam, todos usam a casa, todos tratam de a colocar em ordem!

Enquanto cá estiver e no que diz respeito à educação do meu filho… a pessoa que o levar, vai levar um menino muito prendado, porque ele vai saber fazer de tudo em casa, quer goste quer não goste!

 

Nota:  Agora vinde a mim, Exmos. Srs. machos e Exmas. Sras. que se contentam com o seu estatuto de serva submissa à família... Vinde, desabafem e botem cá para fora as vossas frustrações, tenho costas largas, eu aguento!  :)