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Gato Branco às Riscas

Um blog normal sem nada de especial de uma sonhadora inconformada.

Seg | 30.03.20

Saudade, simplesmente saudade...

Paula Ribeiro Santos

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Saudades de  coisas simples como ir à praia caminhar ou tomar um café na esplanada.

Saudades dos almoços no alpendre, da conversa fiada, das minis, dos passeios de final de tarde e do beijo quente do sol.

Saudades da nossa baixa, dos amigos, das jantaradas e dos copos.

Saudades até de ir ao supermercado despreocupada...

Saudades, muitas saudades da normalidade e daquilo que faz parte do nosso quotidiano.

Saudades da partilha mas sobretudo da proximidade  de um abraço e do toque.

Que aquilo que nos faz sentir humanos volte rápido...

 

Seg | 23.03.20

Compramos uma moradia

Paula Ribeiro Santos

Foi algo que sempre sonhamos e agora temos. :)

Compramos uma pequena moradia, com um pequeno pátio, uma pequena churrasqueira e um pequeno jardim.

Sim, tudo em formato pequeno, porque quanto maior, mais trabalho dá a sua manutenção e para uma família de 3 + 1 está perfeito.

A casa foi totalmente restaurada, os acabamentos estão terminados contudo o jardim ainda está em bruto e esse será o nosso próximo projeto.

Ainda não temos nada decorado, ainda nem se quer temos cortinados, mas o bom tempo está à porta e queremos aproveitar ao máximo o nosso espaço exterior, por isso, os pormenores interiores vão ficar em standby.

Para nós, pátio e jardim é sinonimo de lazer, amigos, churrascadas, sol e descanso, assim sendo, não faz sentido descurar este espaço e apostar todas as fichas no embelezamento interior da casa, quando nos próximos meses, grande parte do tempo será passado lá fora.

Algo incrível que descobri este fim-de-semana, é que aqui há silêncio, um silêncio doce que se transforma numa profunda paz de espírito... e nestes dias de isolamento social, os únicos sons que se ouvem são o chilrear dos passarinhos, as galinhas, as ovelhas e o cavalo do vizinho.

Isto é magico!

É viver na aldeia mas a 5 da cidade.

É ter os dois mundos na mão.

 

Sab | 21.03.20

Eu - Florbela Espanca

Paula Ribeiro Santos

"Eu sou a que no mundo anda perdida,

Eu sou a que na vida não tem norte,

Sou a irmã do Sonho,e desta sorte

Sou a crucificada … a dolorida …

Sombra de névoa tênue e esvaecida,

E que o destino amargo, triste e forte,

Impele brutalmente para a morte!

Alma de luto sempre incompreendida!…

Sou aquela que passa e ninguém vê…

Sou a que chamam triste sem o ser…

Sou a que chora sem saber porquê…

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,

Alguém que veio ao mundo pra me ver,

E que nunca na vida me encontrou!"

Florbela Espanca

Sex | 20.03.20

Por aqui todos os planos mudaram

Paula Ribeiro Santos

Tenho andado ausente, muito ausente...

Preparava o meu regresso para quando fosse a Fátima a pé, contudo, as circunstancias da vida mudaram e o meu regresso fica marcado por este assunto assombroso que nos persegue há meses, o Covid-19.

Prometi a mim mesma que não viria aqui falar sobre o assunto, muito menos fazer um post triste e sombrio, porém sinto que é quase incontornável.

Sou uma pessoa despreocupada e que não gosta de alarmismos e por isso, aqui me confesso, inicialmente desvalorizei completamente esta situação, tal como muitos, via as noticias e acreditava que aquilo ia ficar por ali.

Os dias foram passando e os números começaram soar alerta dentro da minha cabeça. Isto da globalização e fronteiras "abertas" é na esmagadora maioria das vezes muito bom, mas nestas situações é do pior.  Um infeta dois, dois infetam quatro, quatro infetam dezasseis... é matemático e ultrapassa qualquer fronteira.

É engraçado que quando é do outro lado do Mundo, achamos "ah e tal é muito longe não vai chegar cá" mas depois de ver o vírus a entrar com toda a força na Europa, em países em que os costumes e crenças são tão idênticas às nossas... aí começa a ficha a cair.

Nunca em momento algum da minha existência, imaginei ver-me nesta situação, olhar para o lado e sentir desconfiança e medo. Sempre achei que a Humanidade se iria deparar com problemas deste género, porém nunca imaginei que fosse presenciar a tal pandemia na nossa geração ou na geração dos nossos filhos.

Hoje olho à volta e apercebo-me que isto é apenas o inicio de uma nova Era, uma Era em que as pandemias e epidemias vão ser recorrentes e mais difíceis de tratar.

Hoje, estou a cumprir o meu 6 dia de isolamento social, estou com o meu filho em casa e o único que sai (e apenas para trabalhar) é o meu marido. Neste momento, o que mais desejava era manter esta distancia do mundo lá fora, contudo a comida e os bens essenciais começam a esgotar-se cá em casa.

Vejo os noticiários e começo a sentir algum stress dentro de mim. As filas de supermercado assustam-me pois não quero estar fora de casa mais tempo do que o necessário.

Vejo os noticiários e sinto-me revoltada contra esta sociedade que cada vez mais se mostra profundamente egoísta.

Pergunto-me qual é a necessidade de açambarcar comida, bens essenciais, álcool, luvas e mascaras, deixando prateleiras vazias para quem vem a seguir?

Será que essas pessoas pensam que vivem numa ilha e que são as únicas a precisar?

Será que essas pessoas pensam que são mais importantes do que as restantes?

Ou pura e simplesmente pensam: "Eu já tenho, os outros que se f"d*#!

É   V E R G O N H O S O  o umbiguismo do ser humano.

V E R G O N H O S O...

Amanhã é um novo dia e eu quero acreditar que tudo vai correr bem...

Tomemos conta uns dos outros, por nós, por todos os que nos rodeiam. Por aqueles que gostamos e por aqueles que gostamos menos um bocadinho. Afinal de contas, todos nós estamos cá por um motivo, todos nós temos um lado bom e um lado mau, todos nós temos amigos, família, ligações que nos transforma em Ser Social.

Apelo a quem me lê, para que coloque a mão na consciência, vamos ser mais uns para os outros. Mais solidários, mais humanos, mais humildes, mais amor...

 

 

PS. Porra! Não queria alongar-me mas acabei por fazer uma dissertação. Sorry!