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Gato Branco às Riscas

Um blog normal sem nada de especial de uma sonhadora inconformada.

Qui | 16.04.20

mãe de colo sem fundo

Paula Ribeiro Santos

Este é para mim um assunto complicado, que mexe com as minhas emoções mas sobretudo com a minha vida pessoal.

Quem me tem seguido sabe que passamos por um processo muito difícil para conseguir ter o nosso filho, foram quatro longos anos de frustrações, medos, desespero e de alguma revolta.

Desde pequena que um dos meus sonhos foi constituir família e quando digo família é mesmo o típico cliché de casar e ter filhos. No oposto, conheço pessoas que casar ou ter filhos nunca foi parte dos planos. Há quem ache estranho e não compreenda esta posição perante a vida, eu cá acho que essas pessoas merecem todo o respeito e admiração pela coragem de tomar tal decisão.

À distinção do homem, a mulher antes de mais, tem que ter aquilo que nós chamamos de instinto maternal e se não o tem, não o tem - ponto!

Isto não é nada do outro mundo, nem todas as mulheres nascem para ser mães, como tal, não é algo devamos questionar ou recriminar.

Neste assunto tenho uma opinião musculada e muito rígida.

Não tenhas filhos se: é por obrigação - seja porque é a "lógica" da vida, seja para satisfazer uma das partes da relação ou até mesmo a família.

Não tenhas filhos se: nem de ti sabes tomar conta (uuiiii e aqui engloba-se tanta coisinha).

Não tenhas filhos se: estás numa fase complicada da relação, filho não segura casamento!

Não tenhas filhos se: sabes que não tens tempo nem disponibilidade mental para assumir o compromisso mais sagrado que existe que é - dar amor e atenção a uma criança.

Como tal (e desculpem a franqueza), quando estava a tentar engravidar, noticias sobre abandono e maus tratos a crianças provocavam-me ainda mais dor e sofrimento. Percebi que a vida pode ser muito injusta (uns a querer tanto e a não poder e outros a puder e a renegar) e a minha opinião sobre este assunto solidificou ainda mais.

Eu não sou a mãe perfeita, aliás estou a anos luz de o ser, mas acho que se é para ser mãe/pai, que o compromisso seja total e a decisão seja pensada, refletida e comum ao casal.

Basta de crianças que vêm ao mundo para se tornarem em armas de arremesso ou simplesmente um peso na vida do adulto, as crianças mesmo ainda na barriga, merecem todo o respeito.

Eu tenho as minhas falhas, às vezes passo-me, grito, salta-me a tampa, depois em segredo choro porque percebo que teria sido mais inteligente se tivesse controlado o meu impulso, há dias em que tenho menos paciência, outros dias em que me apercebo que lhe deveria ter dado mais tempo do meu tempo, porém de uma coisa eu tenho a certeza - sou mãe de colo sem fundo.

Sim, isso mesmo, mãe de colo sem fundo e é assim que pretendo ser para toda a minha vida. Mãe não a 100% mas 200%, mãe amor, mãe amiga, mãe educadora, mãe divertida, mãe polvo de braços gigantes e beijos melados.

O compromisso da maternidade é este mesmo, dar tudo e mais um par de botas por alguém que não pediu para nascer (aliás, que não teve voto na matéria) como tal,  há que fazer de tudo para que a vida daquela pessoinha seja extremamente feliz.

Não estamos a falar de dar presentes, sou da opinião que encher uma criança de presentes só deseduca e a longo prazo não faz nenhuma criança feliz (falo por experiência própria).

As crianças são uma construção dos adultos e dos pares que a rodeiam, é má opção ensinar às crianças que suprir as suas necessidades emocionais com consumismo é uma má técnica, é um mau ensinamento e só as vai tornar inseguras no futuro. O mais importante na vida de uma criança é o colo, o afeto, os elogios e claro está, as regras, chamadas de atenção quando necessário e o comprometimento que lhes é exigido.

Quanto a nós pais... o agradecimento e a nossa recompensa chegará a cada gargalhada, abraço e beijo que aquele pequeno ser humano nos oferecer.

Deste lado, continuarei a dar o meu melhor, recordando-me de quem sou, nunca anulando a Mulher que está por trás da mãe do Afonso porém, com o compromisso de a cada dia fazer da vida do meu filho mais feliz e bonita. Ensinando-o a ser um Homem integro, bom e honesto, mas sobretudo, seguro de si mesmo, feliz e a saber que terá sempre uma mãe de colo sem fundo.

 

Pronto e é isto, falo no amor e devoção que tenho por aquele minhoco e os meus olhos começam a transpirar.

 

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